PMDB espera crescer 23% nos municípios
Fonte / Estadão
Ministro
da Casa Civil, Eliseu Padilha
No Planalto, ninguém admite oficialmente que Temer
possa vestir o figurino de candidato do PMDB, em 2018. Dez dias depois de o
presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ter dito, em entrevista ao Estado,
que, se a economia estiver bem, Temer será esse nome, articuladores políticos
do governo ainda atuam para jogar água na fervura. Tentam evitar fraturas na
base aliada, que abriga o PSDB.
“Nós não podemos correr esse risco”, disse Padilha.
“Temos muitos projetos importantes para votar no Congresso e ainda há muita
água para rolar debaixo da ponte até 2018.”
O cenário ficou mais nebuloso após tratativas para
delação do empresário Marcelo Odebrecht – preso há mais de um ano – apontarem
para Temer e Padilha. No Planalto, todos minimizaram o episódio, sob o
argumento de que o auxílio financeiro da Odebrecht a campanhas do PMDB ocorreu
“em absoluto acordo” com a lei.
Mais
que Voto
Diante da proibição do financiamento de empresas
nesta disputa, o PMDB lançará nos próximos dias uma plataforma de coleta de
doações, batizada de Mais que Voto, pela qual os candidatos podem ter uma
espécie de tesouraria virtual para prestação de contas. O programa online
também “pesca” doadores – sempre pessoas físicas – e tem um alerta que avisa
sobre erros, para evitar percalços nesses tempos de Operação Lava Jato.
Na última disputa municipal, em 2012, o PMDB elegeu
o maior número de prefeitos (1.024). Hoje, tem 974, administra duas das 26
capitais – Rio de Janeiro e Boa Vista – e encabeçará a chapa em 15 delas. Em
todo o País, o partido lançará cerca de 2.500 candidatos.
Para que o projeto de Temer avance, no entanto, a
prioridade é derrotar o PT em São Paulo e eleger a senadora Marta Suplicy, que
tem como vice o vereador Andrea Matarazzo (PSD). Ex-petista, Marta vai desafiar
o prefeito Fernando Haddad (PT). Os dois exibem alto índice de rejeição.
Pesquisas encomendadas pelo PMDB indicam que a maior
preocupação dos brasileiros, hoje, é com o desemprego. O medo de perder a fonte
de renda vem antes da apreensão com a falta de segurança e das queixas sobre o
sistema de saúde.
Para associar as promessas de Temer de consertar o
País com as eleições municipais, os candidatos do PMDB às prefeituras foram
orientados a usar o slogan “Partido que Muda o Brasil” em suas propagandas.
O presidente em exercício não subirá em palanques
nem participará da propaganda de concorrentes do PMDB no rádio e na TV, ao
menos no primeiro turno, para evitar que confrontos entre aliados contaminem a
relação no Congresso.
PSDB
O embate, porém, já começou. Com três possíveis
candidatos ao Palácio do Planalto – o chanceler José Serra; o senador Aécio
Neves (MG) e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin –, o PSDB não gostou de
ver Maia lançando Temer e já deu estocadas no ministro da Fazenda, Henrique
Meirelles.
Filiado ao PSD, Meirelles é outro nome sempre
lembrado para disputar a Presidência da República e provoca ciúmes no núcleo
político do governo. Aos 50 anos, visto como uma “federação de partidos” por
causa de suas divisões internas, o PMDB fará de tudo, nessa campanha, para se
livrar do carimbo de “golpista” que o PT quer pregar em Temer e seus
seguidores. O presidente em exercício também age para se desvincular de Eduardo
Cunha (PMDB-RJ), que comandou a Câmara durante um ano e cinco meses e está
prestes a ter o mandato de deputado cassado por denúncias de corrupção.

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